Em menos de três dias, os portugueses compraram todos os iPads 2 que vieram para o mercado nacional. Não sobrou um para contar a história de como o gadget premium da Apple, que custa entre 479 e 799 euros, voou das prateleiras mais depressa do que Steve Jobs consegue dizer “Portugal” hauhaua… A Apple não dá informações sobre o número de tablets que foram destinados ao mercado português e as lojas também não confirmam. Mas o que se sabe é que as grandes lojas receberam entre 100 e 150 unidades; outras, mais pequenas, ficaram limitadas a stocks irrisórios (entre 15 e 20). Nas maiores cadeias de retalho de electrônica, como a Worten, várias lojas nem chegaram a receber o iPad 2. Contas feitas por alto, se as mais de quatro dezenas de lojas autorizadas tiverem recebido o tablet, os portugueses compraram qualquer coisa como 4 a 5 mil iPads 2 em três dias. Ou seja, gastaram à volta de 2,5 a 3 milhões de euros na segunda versão do tablet da Apple.
“O iPad 2 esgotou logo nas pré-reservas, nem conseguimos tê-lo na loja”, indica um dos vendedores da área de informática do El Corte Inglés de Gaia. “E os próximos também já não chegam para as novas reservas”, adianta o responsável, referindo que “as pessoas continuam a aparecer e a reservar”. Está previsto um novo stock de iPads 2 para o final da próxima semana, mas a data não é certa. Nem aqui, nem em nenhuma outra loja do país: é virtualmente impossível encontrar um iPad 2 à venda. Em ano de crise e com um primeiro-ministro demissionário, os portugueses estão a vingar-se no fenómeno tecnológico mais relevante dos últimos tempos: o tablet “milagroso” da Apple.
“Isto é o efeito do marketing da marca”, reflete o responsável do El Corte Inglés. “Se fosse o mesmo produto de outra marca não tínhamos sequer 10% das vendas”, acredita. “Quinhentos houvesse, 500 vendíamos”, diz ainda, salientando que o El Corte Inglés ainda tem iPads originais para venda, mas que os consumidores preferem esperar pela última versão.
É exactamente isto que confirma João Ferreira, gestor da iLook Store em Braga. “Esgotou logo na sexta-feira e esperamos receber mais amanhã [hoje].” Boa parte dos compradores até já tinham um iPad original, mas não quiseram perder a oportunidade. E ninguém foi à procura das versões mais baratas: “Recebemos maior quantidade dos modelos superiores”, adianta o responsável. Já na Fnac, uma das cadeias com maior representação nacional, o tablet esgotou durante o fim-de-semana e bateu recordes – demorou 24 minutos a esgotar na loja do Colombo. “Não temos indicação de quando haverá reposição”, diz um dos responsáveis da cadeia, referindo que “o hype está a ser maior que no iPad original”. Nos revendedores premium mais conhecidos, TB Store da 5 de Outubro e mStore do Chiado, ambas em Lisboa, o iPad 2 esgotou no sábado. E ninguém sabe quando haverá mais; certo é que os pedidos e pré-reservas continuam a entrar. Os portugueses ainda não dormem à porta das lojas, mas esse cenário já esteve mais longe.
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